Ginecologista, obstetra e mãe. Uma médica que decidiu levar pra fora do consultório a conversa sobre saúde íntima que toda mulher merece ter: com base em evidência e com o cuidado de quem senta do seu lado.

A maioria das mulheres chega no consultório com medo. Medo de sentir dor, de ser julgada, de não ser ouvida, de ter só quinze minutos de consulta e ninguém olhando na cara. Eu sei bem como é: fui sozinha à minha primeira consulta de ginecologia, ainda muito nova e sem contar em casa, porque era um assunto que simplesmente não se falava. Acolher a mulher nesse medo virou o que mais me realiza na medicina. E quando entendi que dava pra fazer isso também pelas redes, pra muitas mulheres de uma vez, esse trabalho nasceu.
Eu falo como médica e como amiga, na mesma frase. Traduzo o termo difícil na hora, junto a evidência com a vida real e quase nunca dou um "não" seco. Não gosto de alarde nem de dramatizar o corpo da mulher, e não acredito em resolver a dor de ninguém com tecnologia cara ou rotina impossível. O que eu quero é o contrário: democratizar o cuidado e resolver o que é real, sem firula. Pra mim, acolher sempre veio antes do "passa a medicação e tchau".
"Quase tudo pode. Do jeito certo."
Sou a filha mais nova de quatro irmãs e sempre fui prática. Ser médica começou como o sonho dos meus pais e, no caminho, virou a minha escolha por inteiro. Escolhi a ginecologia e a obstetrícia por dois motivos que me definem até hoje: cuidar da mulher por completo, do corpo ao que ela sente, e construir uma vida com tempo pra minha família.
Hoje sou mãe de dois filhos, e toco a Clínica Ser Tão Serena, que ergui no sertão de Pernambuco. A maternidade real me ensinou mais do que qualquer livro. Faz tempo que eu não durmo uma noite inteira, e é justamente isso que me faz entender de verdade a mulher que senta na minha frente.
Eu me recuso a só descansar. Escolhi construir algo meu pra honrar a história que me trouxe até aqui, protegendo com unhas e dentes o meu tempo de mãe, e fazendo tudo com uma ética que não abre exceção. Numa internet que premia o exagero, eu prefiro dormir tranquila: nunca indico o que eu mesma não usaria, o que é antiético ou o que a mulher não precisa. E é isso.